Carta a Raquel Alves

Querida Raquel Alves,

Tive o privilégio de conhecê-la na noite de quinta-feira, 4 de maio, em Belo Horizonte. Não sei se lembrará de mim, mas pedi a você que tirássemos uma foto antes do início de sua palestra, falei brevemente do blog que acabo de criar que citam as crônicas de Rubem Alves e do prazer em conhecê-la, antes de um modesto abraço.

Não imaginei que sua palestra seria tão grandiosa assim. Ainda bem. Foi uma grata surpresa. Talvez tenha me privado de maiores expectativas por ter, no dia em que conheci seu pai, saído frustrada. Sim, Rubem Alves me frustrou. Eu, aos 19 anos e leitora assídua do seu pai – era a única leitura que fazia -, o via como um herói muito diferente daquele senhor velhinho, já trêmulo e pedindo ajuda para seguir sua linha de raciocínio, que encontrei em um “Sempre um Papo”, no Palácio das Artes, em março de 2011. Saí quase chorando ao perceber que meu herói era mortal. Para curar essa dor do tempo, só lendo mais Rubem Alves.

Depois, naquele 19 de julho de 2014, chorei novamente feito criança. O que seria do mundo sem Rubem Alves? Meu pai, confuso e preocupado com a cena, chegou a me perguntar se “esse Rubem” era meu colega de sala na faculdade. Talvez essa foi a forma dele sentir a proximidade e importância do escritor em minha vida. Para curar mais uma dor do tempo, novamente, só lendo e lendo suas escritas.

Sem mais delongas, fecho essa noite com uma sensação de proximidade ainda maior com aquele super-herói que virou humano e depois tornou-se encantado.

Você, Raquel, traz a luz e o amor de Rubem Alves. E assim como tudo que dele permanece, você está eternizada, também, na literatura. E embora esse momento não seja de dor e sim de reencontro, retomo sua leitura. Porque Rubem Alves é meu dicionário da vida. E não há passo que ele não saiba explicar. Desde o nascimento até, principalmente, a morte, ele nos amansa.

Não digo mais que você teve a sorte de ser filha dele; agora sei que a sorte foi nossa, porque você aqui está para contar e perpetuar sua história.

Fique mais; conte-nos e deixe-o mais.

Mais uma vez, muito obrigada! Volte sempre a Minas. Espero revê-la e ouvi-la muito mais.

Att,;

Queka Barroso

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