Ostra acomodada não faz pérola

Rubem Alves é cheio de ensinamentos e de descrições exatas sobre a humanidade e sua existência. A teoria de que “ostra feliz não faz pérola” é uma das minhas preferidas – por isso está na capa do blog – e, claro, não demoraria para falar sobre ela.

Talvez pela fase que hoje passo, talvez por toda minha parte criativa, sou feito ostra, sou feito Rubem Alves:

“A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas… Ostras felizes não fazem pérolas… Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída… Por vezes a dor aparece como aquela coisa que tem o nome de curiosidade (…)”.

E assim somos nós, seres humanos que facilmente estagnam em vidas, trabalhos e relacionamentos por felicidade ou comodismo. Sim, porque podemos complementar essa teoria informando que a ostra acomodada não faz pérola, quando, por exemplo, além da areia ela tem dentro de si água. A água camufla as possibilidades negativas que a areia traz e, enquanto a dor não vem, não tem porque mudar, produzir, criar, etc.

Não é à toa que academicamente precisamos da “problematização” de nossos trabalhos antes mesmo de começá-los. Qual a necessidade disso? Por que isso está sendo feito? Porque é preciso.

Não é à toa que, quanto mais felizes estamos em um relacionamento, mais temos certeza que chegamos ao ponto de “posse” e menos percorremos o caminho da conquista – mesmo que essa, todos nós sabemos, deva ser diária.

Não é à toa que ficamos anos em um trabalho mediano para não corrermos os riscos do mercado de trabalho; ou idealizamos concursos públicos que, muitas vezes, sequer são de nossas áreas de trabalho desejadas, só porque podem nos trazer estabilidade financeira.

Não é à toa que demorei tanto para lançar esse blog. Porque precisei ver minha vida revirada para me reinventar e resgatar projetos. Precisei que uma areia entrasse dentro de mim para que eu iniciasse a produção da pérola.

E sabe o que é mais interessante? Há “areias” que vêm para o bem. Afinal, a beleza da ostra está na pérola, ou seja, em sua produção.

Questione-se e não pare na pista.

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